Página Inicial Data de criação : 07/05/23 Última actualização : 07/06/17 04:22 / 61 Artigos publicados
 

Dia 1: Lisboa - Milão  Inserido Saturday 16 June 2007 23:12

 

Aeroporto de Lisboa às 6h45. Telefonema recebido: há quem esteja um pouco atrasado… Na verdade, há quem tenha acordado mesmo nesse momento.

Fila interminável para check-in.

O atraso fez com que o check-in tivesse de voltar a ser aberto para alguém conseguir ir no mesmo voo para Milão. Lá se resolveu, sem grandes stresses…

Vôo sem grandes aventuras a não ser barulheira interminável da ala feminina que estava na parte de trás do avião…

Chegada a Milão pelas 13h.

Na Europcar chegamos à “conclusão” que em Itália tudo é diferente: quando fomos levantar o nosso carro lá nos esperava um estrondoso Fiat Panda azul! Vamos reclamar porque tínhamos reservado um carro Classe B. Se o Panda é classe B, o que seria classe A!? Resposta: na Itália não há classe A!!

Lá vamos no nosso Panda sem acreditar muito nessa história e convencidos que na 2ª feira iríamos resolver esta questão com facilidade.

Aventura seguinte: GPS. Depois de instalado lá pomos a morada do hotel.

Chegamos ao destino passado uns 20 minutos. Olhamos à volta e nada de hotel nem nada parecido. Estamos numa terreola, a uns 20 kms de Milão, cuja rua tem o mesmo nome da rua do hotel.

Vamos ter de conseguir descobrir qual das quatro ou cinco ruas com o mesmo nome em Milão e arredores será a do nosso hotel! Quanto a referências da localização do hotel? Nenhumas!

O nosso GPS insiste em mandarmos para todo o lado menos para a auto-estrada e andamos a deambular por pequenas vilas nos arredores de Milão. Pelo caminho, percebemos que a mais velha profissão do mundo também tem espaço pelos campos e beiras da estrada dos arredores de Milão!
Lá conseguimos entrar na auto-estrada. Passado mais uns 10 minutos, passamos por um bairro meio alternativo (fez-me lembrar os Olivais ou Olaias) e chegamos novamente ao destino indicado pelo GPS. Agora estávamos em Milano 3, tinha ar de se tratar de uma cidade recentemente desenhada para os endinheirados de Milão. Mas ainda não era desta…

À terceira tentativa lá conseguimos chegar ao famigerado hotel. Hotel novo, até talvez demasiado novo! Eram umas 4 da tarde e nós cheios de vontade de nos estrearmos na cozinha italiana. Depois de deixarmos as malas, partimos à descoberta dos arredores do hotel e de encontrarmos local para um almoço tardio. Tudo fechado! A única coisa aberta é um café de comida turca ou algo assim parecido!

Voltamos à base e decidimos experimentar o bar do hotel. Fechado!! A coisa começa bem!

O estômago já ronca e lá voltamos à descoberta de Milão. À espera do autocarro, passa um táxi e encaminhamo-nos para o Duomo da cidade. O taxista é o típico como em qualquer cidade do mundo, daqueles cheios de truques!

Depois de darmos meia volta à cidade para fazermos uns 2 kms e de pela conversa ele falar bem do Figo, das ragazzas de Milão, de dizer para não irmos a Génova e de recomendar uns bares alternativos finalmente chegámos à praça principal de Milão, a Piazza del Duomo e seguimos pela Galleria Vittorio Emanuelle II. Tudo o que é restaurante, está fechado!

 

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Milão: Galeria Vittorio Emanuelle II  Inserido Saturday 16 June 2007 23:26

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Milão  Inserido Saturday 16 June 2007 23:30

E não é que a nossa primeira refeição em Itália, vai ser num restaurante muito original, sempre aberto e chamado McDonalds!!!!

 

Pelo meio, muitas e espanpanantes ragazzas e lá vamos andando pelas agitadas ruas de Milano. Até que chega a hora do merecido descanso e vamos estrear-nos nas Heineken.

 

Depois de 4 ou 5 Heinkens, dirijo-me à casa-de-banho. Não tem luz, nem água e sanita também não existe, mas sim um belo buraco no chão. Tudo bem! ;-)

 

Estávamos muito perto de uma praça que estava invadida por punks ao final da tarde, mas quando lá chegamos depois das bebidas na esplanada já tudo tinha mudado: restaurantes e a praça cheia de bellas!

 

Depois de mais umas Heinekens lá nos deparamos com o primeiro português. Trabalha num bar e está em Erasmus em Milão. Mora a uns 500 metros de mim em Portugal! No final da noite, passamos por uma loja de pizzas à fatia que bomba musica brasileira à grande. Entramos para um belo repasto e fazemos novas amizades. Lá dentro entre empregados e clientes só dá Brasil.

 

Já no final da noite, ficamos a achar que estamos perto do hotel e lá fazemos uns quilómetrozitos a pé, sempre com o mapa a “ajudar-nos”. Nada como descobrir Milão às 3h da manhã, por locais que não passam nem carros nem pessoas! Mas lá chegámos ao hotel sãos e salvos e prontos para ganharmos forças para o dia 2.

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Dia 2: Milão - Pisa  Inserido Saturday 16 June 2007 23:35

Milão fica para trás e o objectivo agora é Génova. De Milão para Génova fico estupefacto com a auto-estrada numa das áreas mais endinheiradas de Itália! Curva após curva, passagens pelo centro de pequenas cidades!! Cheguei à conclusão que vou ter de reconsiderar quando falar mal das auto-estradas portuguesas!

 

Outro aspecto que ficámos a conhecer e que nos perseguiu durante toda a viagem foi os problemas que iríamos ter com o GPS. Apesar de ter sido uma ajuda fundamental, a verdade é que nem sempre as coisas corriam bem. Bastava um pequeno túnel, para ele perder a comunicação com os satélites e termos de o reiniciar, num processo que por vezes fazia que tivéssemos de alterar a rota inicialmente prevista.

 

Este foi um dia em que nem tudo correu como inicialmente previsto, até posso dizer que quase nada aconteceu como o previsto! Depois de nos terem falado que Génova era horrível, deparamo-nos com uma cidade portuária cheia de monumentos, uma bela marginal e muita história pelas ruas.

 

Os constrangimentos de termos ficado com o Panda começam a sentir-se. Algumas das malas ficam à vista o que nos impede de largar o carro e descobrir a cidade. Já que estamos em Génova, começamos a busca de hotéis, visto não termos marcado nem esta noite nem a seguinte. A lógica em Lisboa era que estes eram locais pouco turísticos e nas noites de Domingo e 2ª feira não deveria ser complicado encontrar hotel. Um pequeno pormenor que tinha ficado esquecido é que 3ª feira era 1 de Maio e muita gente fez ponte enchendo todos os hotéis. O primeiro local onde nos deparamos com essa realidade é Génova, que mal ficámos a conhecer. A única ideia que fica é que é uma cidade que vale a pena descobrir e que o taxista de Milão é um verdadeiro bairrista. Em termos de beleza e sem conhecer verdadeiramente nenhuma das duas cidades fiquei a achar que provavelmente a localização junto ao mar de Génova em relação a Milão tornam a cidade portuária mais bonita do que a capital económica de Itália.

 

Depois de Génova fazemo-nos à estrada e seguimos para Porto Fino à procura de hotel nesta estância balnear. O GPS diz-nos para sair da auto-estrada mais cedo do que me parecia fazer sentido, mas a verdade é que ainda bem que o fez! Chegamos a Camogli e deparamo-nos com praias completamente cheias. O nosso problema com a hora das refeições em Itália continua bem evidente! São umas 15h e ainda nada de almoço ou algo que se assemelhe. Paramos o carro num restaurante ao lado da estrada e finalmente estreamo-nos num restaurante italiano. E que estreia!!!

 

O restaurante já estava a esvaziar, mas lá conseguimos instalarmo-nos na esplanada a absorver a tranquilidade de Camogli. O anti-pasti pedido era composto por três (sim três) mini-pratos de marisco, bivalves e peixe. Delicioso e fiquei simplesmente estupefacto! Ainda estava a começar a entrada e lá chegava o prato principal! Uma pasta fantástica! Um sinal que as seguintes duas semanas seriam compostas por excelentes repastos! E o anti-pasti vai ficar no ranking dos melhores por terras italianas!

 

Depois do almoço, continuamos a busca de hotéis, mas em Camogli também tudo está completo. Nada a fazer por ali, seguimos caminho até Porto Fino. Pelo meio, passamos por mais algumas terras e praias em que nos apercebemos do caos do trânsito e que os italianos também são grandes fãs dos primeiros raios de sol. Tudo o que é praia completamente cheio. As praias ficam localizadas em encostas e a areia não parece ser muita. Quanto a locais para estacionar, esqueçam. Nós bem queríamos sair do carro para ver as vistas, mas era algo impossível no meio daquela confusão.

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Porto Fino  Inserido Saturday 16 June 2007 23:44

Depois disto, lá chegamos a Porto Fino. Conhecida pelos seus desfiles de Verão, deparamo-nos com algo que posso descrever como a Vilamoura do norte da Itália. A juventude e alegria que tínhamos encontrado em Milão não estava aqui. O passeio de fim de tarde na marginal era composto por famílias e casais de meia-idade. Depois de sem sucesso procurarmos mais alguns hotéis e retemperar forças, decidimos fazermos novamente à estrada na tentativa de encontrar local para passar a noite. O cenário “noite no Panda” começava a tomar forma!

 

Entramos na auto-estrada e seguimos para a primeira e a maior das Cinque Terre. Agora o destino é Monterroso al Maré. Chegámos já de noite e ficámos a conhecer esta bonita vila em que não entram carros nem têm alternativa para os deixar a não ser à beira da estrada encarpada que acaba na entrada da localidade.

 

Em Monterroso mais algumas tentativas em hotéis e percebemos que definitivamente não vai haver solução. Nesta vila, os restaurantes estavam a encher e nós dirigimo-nos à beira-mar, até que somos sobressaltados por um barulho ensurdecedor de um comboio de alta velocidade que passa mesmo à beira da praia e no centro histórico de Monterroso!

 

Depois de ganhar mais algumas forças numa esplanada, decidimos ir jantar. As mesas dos muitos restaurantes continuavam cheias, mas já passava das 22h! Depois de quatro ou cinco tentativas percebemos que nem local para passar a noite e nem sequer conseguimos jantar! Começa a ser um cenário desesperante!

 

Em Monterroso, dizem-nos que o único local onde possivelmente conseguiríamos hotel era La Spezia. Tal implicava passar pelas Cinque Terre sem as ficar realmente a conhecer, mas a prioridade era encontrar sítio para dormir. Depois de mais uma vez o GPS nos indicar caminhos que nada teriam a ver com o melhor caminho para chegar a La Spezia passamos por pequenas localidades longe de tudo. Paramos em alguns hotéis e residenciais já cientes da realidade e nessa noite o jantar foi composto por batatas fritas e uma barra kinder! Nada mal!

 

Quando chegamos a La Spezia chega a hora de uma nova aventura. A gasolina começa a escassear e damos por nós numa bomba self-service. Depois de algum estudo a coisa nem corre mal. Já passa da meia-noite, e deparamo-nos com uma cidade que nem sequer estava no nosso plano, uma cidade industrial e portuária que vive de costas para o mar. Por lá, só nos damos ao trabalho de visitar um hotel que nos diz simplesmente que a cidade está cheia. Nada para fazer por aqui! Há que rentabilizar o facto de não termos hotel para assim fazermos kilómetros. Destino seguinte: Pisa.

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